Os militares israelitas pediram esta segunda-feira aos habitantes de Gaza para evacuar o interior e a zona envolvente do hospital Al-Shifa, o maior do território, enquanto decorrem combates em pleno complexo hospitalar.
“Para se manterem em segurança, devem evacuar imediatamente a área”, afirmou o porta-voz do exército, Avichay Adraee, na rede social X (ex-Twitter), pedindo a “todos os presentes” para se dirigirem para oeste e depois para sul, para uma “área humanitária”.
Testemunhas afirmaram à AFP que panfletos com esta informação foram lançados na área.
O apelo acontece pouco depois do início de uma operação no hospital Al Shifa, com testemunhas a relatarem que ouviram bombardeios no bairro devastado onde fica o centro médico.
Os soldados “estão numa operação que visa a área do hospital Al Shifa”, afirmou o Exército num comunicado. “A operação é baseada em informações sobre o uso do hospital por terroristas de alto escalão do Hamas”, acrescentou.
Testemunhas confirmaram à AFP “operações aéreas” no bairro de Al Rimal, onde fica o hospital, o maior da Faixa de Gaza.
Os moradores do bairro no centro da Cidade de Gaza afirmaram que “mais de 45 tanques e veículos blindados de transporte de tropas israelitas” entraram em Al Rimal. Algumas pessoas citaram “combates” na área.
O governo do Hamas em Gaza condenou a operação e afirmou que “o ataque ao complexo médico Al Shifa, com tanques, drones, armas e tiros em seu interior, é um crime de guerra”.
O Ministério da Saúde do território informou que recebeu informações de pessoas que estavam perto de hospital e que afirmaram ter visto dezenas de vítimas.
Reunião em Doha para discutir tréguas
O chefe das secretas de Israel, o primeiro-ministro do Qatar e autoridades egípcias deverão ter conversações em Doha nesta segunda-feira sobe uma possível trégua em Gaza e um acordo de troca de reféns, disse à AFP uma fonte com conhecimento das negociações.
A reunião entre o chefe do Mossad, David Barnea, o primeiro-ministro do Qatar, Mohammed bin Abdulrahman Al-Thani, e os enviados egípcios “deverá ocorrer hoje”, disse a fonte, sob condição de anonimato, dada a sensibilidade das negociações.
As conversações na capital do Qatar são as primeiras depois de semanas de intensas negociações envolvendo mediadores do Qatar, dos Estados e do Egito que não conseguiram garantir um cessar-fogo entre Israel e o Hamas para o mês do Ramadão, que começou na semana passada.
Chefes da diplomacia da UE tentam acordo sobre sanções ao Hamas e colonos
Os chefes da diplomacia da União Europeia (UE), esta segunda-feira reunidos em Bruxelas, vão tentar acordos políticos sobre sanções ao grupo islamita Hamas, aos colonos israelitas na Cisjordânia e às pessoas ligadas à morte do opositor russo Alexei Navalny.
A informação foi revelada por fontes europeias na antecipação do acordo, que deram conta também da participação por videoconferência do Secretário de Estado norte-americano, Antony Blinken, bem como do ministro dos Negócios Estrangeiros ucraniano, Dmytro Kuleba.
Relativamente ao Médio Oriente, espera-se que na reunião de hoje, que começa pelas 10:30 (horas locais, menos uma em Lisboa) haja ‘luz verde’ preliminar (apenas ao nível político, com a adoção a acontecer mais tarde) para a União Europeia (UE) avançar com medidas restritivas contra o Hamas e os colonos israelitas na Cisjordânia.
Enquanto no primeiro caso a UE pretende sancionar os envolvidos em crimes sexuais cometidos por membros do grupo islamita Hamas no contexto do ataque terrorista de outubro passado contra Israel, no segundo a ideia é responder ao comportamento de alguns colonos israelitas extremistas.
A Hungria tem vindo a recusar qualquer tipo de sanções contra colonos israelitas na Cisjordânia, razão pela qual os 26 restantes ministros dos Negócios Estrangeiros precisam de convencer o homólogo húngaro ou avançar de outra forma com esta medida.
Em cima da mesa neste Conselho de Negócios Estrangeiros — no qual Portugal estará representado pelo responsável da tutela, João Gomes Cravinho — estará também uma discussão sobre as relações da UE com Israel, quando a diplomacia comunitária equaciona uma eventual suspensão do acordo de cooperação com Telavive devido à intervenção militar em Gaza.
Caberá aos chefes da diplomacia europeia avaliar politicamente se existe ou não uma base para suspender o acordo de associação entre Bruxelas e Telavive.
Israel começou a bombardear Gaza na sequência dos ataques do Hamas no sul do território israelita, perpetrados em outubro de 2023, justificando a intervenção com a necessidade de anular as capacidades militares do Hamas.
A invasão de Gaza é o mais recente episódio de um conflito com mais de sete décadas entre Israel e a Palestina, que ainda não é reconhecida como um Estado pela totalidade da comunidade internacional.
Já relativamente a Alexei Navalny, que morreu numa prisão no Círculo Polar Ártico em meados de fevereiro, a UE vai tentar um acordo político para sancionar indivíduos e entidades ligadas aos abusos e à morte do político russo.
Fontes comunitárias adiantaram que, por proposta do Alto Representante da União para os Negócios Estrangeiros e Política Segurança, Josep Borrell, será discutida a possibilidade de criar um quadro jurídico específico para sancionar as violações dos direitos humanos na Rússia, regime ao qual seria dado o nome de Alexei Navalny.
Fonte: dn.pt